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Até que ponto a Inteligência Artificial pode mimetizar a essência humana ?

Elizabete Barbosa de Albuquerque

Por Elizabete Barbosa de Albuquerque

janeiro, 2026

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Na natureza, é muito comum que algumas borboletas sobrevivam não pela força, mas pela semelhança. Ao imitarem cores e padrões de espécies venenosas, enganam predadores e garantem sua existência. Fora das florestas, essa mesma lógica se repete em escala humano-tecnológica. Estamos presenciando uma revolução nessa esfera. Os dados, acumulados ao longo do tempo, não mais se atêm a existir a partir das nossas decisões, mas passam a buscar comportar-se de maneira quase humana, evoluindo e se moldando. Atualmente, imaginar a ideia de que existe um território inalienável e unicamente humano tem sido posto à prova à medida que a Inteligência Artificial (IA) avança em direção a habilidades que antes eram consideradas unicamente humanas.

Um exemplo recente dessa fronteira entre tecnologia e a peculiaridade humana ocorreu no estado norte-americano de Utah, onde uma iniciativa, vigente desde dezembro de 2025, permitiu que um sistema de IA renovasse prescrições médicas para pacientes com doenças crônicas. O projeto, desenvolvido em parceria com a startup Doctronic, representa o primeiro caso nos Estados Unidos em que um modelo tecnológico participa diretamente de uma atividade médica, tradicionalmente considerada um campo intrinsecamente humano, envolvendo julgamento clínico e relacionamento médico-paciente.

Esse cenário produz reflexões indispensáveis acerca dos limites demarcados. A prescrição médica envolve vários espectros da saúde individual que, mesmo com altas taxas de acerto, exigem sensibilidade e discernimento, atitudes que foram debruçadas durante milênios sobre as expertises humanas. Quando um programa de alto nível atua nessa esfera, é preciso questionar: o que acontece quando esses princípios deixam de ser biológicos e passam a ser orientados por um futuro que estamos criando?

Do outro lado do globo terrestre, notícias reafirmam o poder da tecnologia sobre uma das funções mais antigas e simbolicamente humanas. O caso com grande destaque internacional foi a nomeação, pela Albânia, da primeira “ministra” gerada por IA no mundo, chamada Diella, intitulada pelo primeiro-ministro Edi Rama como parte do gabinete. Essa figura virtual foi encarregada de supervisionar licitações públicas com a promessa de torná-las 100% livres de corrupção, representando uma inovação sem precedentes no campo governamental.

Além de decisões éticas e políticas, a IA também vem moldando, a seu modo, o campo da criatividade, um dos territórios mais associados à alma humana. No último ano, cresceu de forma significativa a utilização de IA em comerciais e publicidade. Empresas do ramo começaram a lançar campanhas inteiramente criadas por esses algoritmos, atingindo o ápice em vídeos promocionais com atores sintéticos. No que vai além do televisionado, plataformas digitais e redes sociais estão adotando a tendência de influenciadores virtuais, personagens de IA capazes de engajar seguidores e até vender produtos, substituindo, em alguns segmentos, a atuação humana.Esses desenvolvimentos têm implicações profundas para o cinema, a música e a cultura popular, podendo comprometer a autenticidade e a aura existentes há séculos na arte.

Ao confrontarmos casos como os citados, percebemos que a tecnologia está se infiltrando em áreas que antes compunham o espaço seguro do ser humano. A IA pode imitar comportamentos relacionados ao pensamento, à arte e à decisão, mas a questão crucial permanece: ela pode realmente interiorizar significado e copiar o que se entende por subjetividade humana?

Por enquanto, a resposta mais sincera parece ser não. Observa-se que a Inteligência Artificial, assim como o mimetismo natural das borboletas, sobrevive pela semelhança, não pela essência. Apesar de conseguir reproduzir modos de agir da espécie criadora, essas tecnologias ainda estão restritas a padrões obtidos de dados e instruções objetivas. Dessa forma, a IA expande e transforma os limites antes vistos como exclusivamente humanos, mas a singularidade humana, em seu significado mais profundo, ainda não pode ser integralmente reproduzida por métodos artificiais.

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