O avanço do debate sobre possíveis mudanças na jornada de trabalho e no modelo conhecido como escala 6×1 no Congresso Nacional mantém em alerta o setor de transporte rodoviário de cargas. Embora reconheça a relevância da discussão sobre qualidade de vida e relações de trabalho, o Setcergs publicou uma nota em que reforça que mudanças estruturais envolvendo jornada e escalas precisam considerar as especificidades operacionais do setor.
O sindicato, inclusive, esteve em Brasília no início de maio e reiterou sua preocupação, pois sem um tratamento compatível com a realidade, eventuais restrições ao modelo 6×1 podem comprometer o abastecimento, elevar os custos logísticos e ampliar a dificuldade de contratação de motoristas profissionais.
Estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), aponta que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderá gerar impacto de R$ 11,88 bilhões no setor de transporte no longo prazo.
O Sistema Transporte também acompanha as discussões sobre a jornada de trabalho e alerta para impactos diretos sobre os serviços de transporte e logística, além de reflexos inflacionários na economia. A entidade defende que eventuais alterações sejam implementadas de forma gradual e preservem a negociação coletiva.
Durante audiência pública realizada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, o Sistema Transporte também chamou atenção para os desafios de implementação de mudanças sem planejamento gradual. A avaliação é de que reduzir jornadas em atividades essenciais exigirá ampliação da mão de obra em um contexto em que o setor já enfrenta escassez de profissionais qualificados. Dados do Sistema Transporte apontam que 65,1% das empresas do setor enfrentam dificuldades para contratar motoristas.
Preocupação de outros setores
A Fecomércio-RS e a Confederação Nacional da Indústria também manifestaram preocupação com a aprovação da proposta na Câmara dos Deputados e ressaltaram a importância de preservar a liberdade de negociação entre trabalhadores e empresas na definição das relações de trabalho.
Fonte: Setcergs